Os 30 anos marcam na pele…

Foto de Guilherme Schwinn

 

Essa é a frase que encabeça meu convite de aniversário: Os 30 anos marcam na pele. Em homenagem a ela – e aos 30 anos que serão, em breve, comemorados – 31 de janeiro (se quiser me cumprimentar ou enviar um presentinho, sinta-se à vontade) –, resolvi fazer a tatuagem que estava entre os planos não executados. O desenho não era o imaginado – acho que nunca cheguei a uma conclusão do que, nem onde, pretendia tatuar -, nem o tamanho – confesso que pretendia algo menor -, mas o resultado foi muito bem aceito.

Foto de Guilherme Schwinn

O incentivo maior veio do namorado, dando-me-a como presente de Natal e apresentando-me ao excelente tatuador: Marcelo. Este, por sua vez, transformou minha ideia original em um desenho singular e com mais detalhes, confessando-me que nos 07 anos de profissão nunca havia feito nenhuma ave dessa espécie, bem como que a andorinha maori estava dentre os desenhos que almejava tatuar.

Enquanto tentava sublimar a dor, mais acentuada nas regiões musculosas das costas – ao contrário do que o tatuador esperava, não sou do clube dos masoquistas e, por isso, não achei o procedimento uma dorzinha boa e viciante -, pensei nas inúmeras repercussões disso. Obvio que não sou criança e bem sei que se trata de algo que me acompanhará por toda a vida – ou, ao menos, por boa parte dela. Repercussões, digo, em meus pais – que sequer desconfiam dessa peripécia -, em meu trabalho, em meu dia-a-dia etc.

Foto de Guilherme Schwinn

Mais de uma pessoa destacou a loucura que estava cometendo ao tatuar meu corpo: isso é uma agressão; você terá que esconder para trabalhar; pode esquecer dos concursos públicos; coisa de marginal; mulher não fica bem tatuada; blá blá blá blá blá, whiskas sachê.

Todos os argumentos vêm, sempre, arraigados a muito preconceito, principalmente de gênero e social. Esquecem, contudo, que as pessoas, principalmente mulheres, furam suas orelhas há anos; arracam praticamente todos os pelos do corpo com cera quente; fazem as maiores loucuras em seus cabelos para que fiquem iguais ao da propaganda; que a atual maquiagem tem origem tão remota quanto a tatuagem.

O próprio tatuador confessou ser alvo de olhares enviasados; o namorado, igualmente, já foi diversas vezes alvo de pré-julgamentos por conta das que carrega em seu braço direito e do alargador na orelha. Eu, já que há poucas horas com minha nova marca, ainda não experimentei nenhuma dessas situações. Mas tenho certeza de que logo virão, junto com o olhar de espanto e perplexidade de meus pais, na visita de Natal que lhes farei.

Foto de Guilherme Schwinn

O intuito deste post não é ser longo, muito menos divagar sobre tatuagem, sua história, os preconceitos que a cercam ou coisas do genêro.  Para isso dedicarei outro momento, com as possíveis – e prováveis – discriminações que advirão.

Aqui quis apenas dividir e expor essa nova marca em meu corpo, que, ao contrário daquelas advindas com os 30 anos, foi escolhida.

Encerro parafraseando uma querida colega (e amiga) de trabalho, que ontem bem resumiu o assunto: Tatuagem é como roupa, você tem que saber vesti-la (carregá-la); alguns não o sabem fazer, outros o fazem de modo sublime.

Espero estar inserta na segunda opção.

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7 responses to this post.

  1. Posted by Sâmia on 18 de dezembro de 2010 at 16:28

    Dra. Michele, tbm tenho duas tatuagens feitas pelo Marcelo, e, apesar do preconceito de alguns, a maioria das pessoas gostam. Sua tatuagem ficou linda, e por não ser algo “agressivo” o preconceito será menor. O importante é que as pessoas que te conhecem sabem que vc é uma pessoa inteligentíssima e que de marginal não tem nada! Feliz tatuagem!! Beijos!

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  2. Posted by walterstodieck on 20 de dezembro de 2010 at 00:43

    Adorei a tatoo!

    Só não sei se teria feito preenchido as “vírgulas” que se encontram no corpo da andorinha maori (tem certeza que não é uma andorinha africana?) e talvez um pouquinho menor (pouca coisa, hehe), mas ficou bem legal, adorei mesmo.

    Eu tenho minhas opiniões sobre tatuagem mas isso fica para quando vc fizer o post sobre tatuagem propriamente dito, hehehehe 😀

    beijão, tia

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    • Eu tb havia pensado em um pouco menor, mas os detalhes não ficariam tão perceptíveis. E as ondas eu preferi assim mesmo, mas o trabalho nelas foi de pontilhismo, nem tem borda, só os pontos em degradê. E não é africana, não. hahahaha. Mas o desenho original foi alterado pelo tatuador, com outras influências.

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  3. Michele: Eu também me dei uma tatuagem no meu aniversário de 30 anos. Eu acordei e disse: hj vou marcar esse dia. Também não achei a dor gostosa. É como fazer 30 anos. Uma parte de mim estava extasiada por se sentir tão mulher, outra pensava na mortalidade, na perda da ingenuidade/romantismo da juventude. É agridoce. Sou mais cética, mais cínica, mas também sou mais forte, mais apaixonada por mim. Eu adoro ser mulher de trinta, e de ter marcado em mim essa paixão por ser mulher =^.^=

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    • Eu gostei muito quando ouvi ontem vc dizendo q depois dos 30 passou a fazer só o que queria. Está mais do que certa.
      Os 30 tem esse marco agridoce mesmo, mas por enquanto tenho gostado mais do que imaginava.
      E quero saber qual o desenho da tua tatuagem…

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  4. Posted by Paulo Xavier on 24 de maio de 2011 at 21:42

    Mi: como a vida faz as pessoas mudar, quem não podia nem ir a um baile de carnaval, cada vez tenho mais admiro tua coragem,tu sabe o que quiz dizer.
    um baita beijão

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