“…Como é meu o meu aniversário…”

Parte dos presentes que ganhei de aniversário. Alguns não couberam na foto.

Acabei não comentando, no post sobre o enorme amor que tenho pelos aniversários, particularmente o meu, mas o top 1 da minha lista é, sem sombra de dúvidas, o presente. Claro que falar de presentes é falar sobre unanimidades: mesmo aqueles que não suportam as festas ou os parabéns, jamais se mostram relutantes ou avessos aos presentes de aniversário.

Afinal, tem coisa melhor do que ganhar presentes?

Óbvio que não no mesmo grau de amor e importância, mas sempre tive o ato de dar presentes igualmente prazeroso. E quando dizem que filho de peixe, peixinho é ou a fruta não cai muito longe do pé, apesar do imenso preconceito contido nesses ditos populares e minha particular ojeriza a importância que ganham na boca de algumas pessoas – como se argumentos válidos fossem -, tenho que reconhecer que, no caso, aplicam-se a mim. Sou uma compulsiva presenteadora, tendo “herdando” (duplo grifo, sim) essa característica dos meus pais.

Foto de Renata Diem

Desde que me conheço por gente, minha mãe é a rainha dos presentes. Lembro das proximidades dos Natais, na infância, em que saímos pelas lojas com uma lista imensa de pessoas que seriam agraciados pelos seus mimos. E não eram lembrancinhas, não. Eram presentes, grandes, volumosos e, especialmente, caros.

Não que isso faça a diferença, já que realmente acredito que o importante é a lembrança. Mas ela sempre fez questão de dar coisas boas, perdendo diversas noites de sono matutando o que comprar para cada um daqueles que estapavam sua longa lista.

Claro que meus pais não são ricos, nem nunca tiveram dinheiro sobrando para regalias como essas. Mas, sempre incentivada por meu pai, que montava sua própria lista dos indispensáveis (aqueles que não podiam ficar sem presentes de maneira alguma), economizavam para essa data.

Aliás, o ato de presentear de meus pais nunca se limitou a objetos embrulhados com lindos laços. Ia desde festas para os amigos – pelas mais variadas razões – até pagar contas de restaurantes, levar para viagens com tudo pago, emprestar dinheiro aos amigos sem previsão de receber de volta (isso quando não doavam o dinheiro a priori apenas emprestado) e por aí vai.

Foto de Renata Diem

Desde muito cedo tive o exemplo em minha casa do quanto era bom, prazeroso e importante o ato de presentear (lato sensu). E não há como negar que isso influenciou muito na formação de minha personalidade. Os meus amigos podem até vir aqui questionar, negando-me o adjetivo presenteadora, porém, em minha defesa, aponto as limitações financeiras dos últimos meses.

Não posso, contudo, dizer que sou ou me igualo aos presenteadores que são meus pais. Se, por um lado, aprendi a importância e a satisfação que rodeiam esse ato, por outro pude perceber que algumas pessoas se aproveitam e abusam da generosidade alheia. Inúmeras foram as vezes que vi meus pais sendo convidados como padrinhos de casamentos pela simples razão de que iriam dar um ótimo presente. O mesmo quanto a batizados. Há, também, as velhas desculpas do não posso ir em tal lugar, porque não tenho dinheiro, mas se você faz questão de me pagar, até faço um esforço e vou.

Claro que isso nunca foi a regra, mas a exceção, pois, do contrário, por mais generosos que meus pais fossem, já teriam mudado de atitude. Do mesmo modo, se assim não fosse, não teria eu adotado essa característica.

Também não posso negar a importância que essas péssimas exceções tiveram na minha formação. A partir dessas experiências aprendi a reconhecer os verdadeiros amigos, as coisas que realmente importam e os melhores presentes, para dar e receber.

Foto de Michael Bernardini

Foto de Michael Bernardini

Confirmei mais uma vez, aos 30 anos, que os melhores presen- tes são aqueles que, ainda que passíveis de serem envoltos em grandes laços de fita, prescindem do invólucro; que não há nada melhor do que, mesmo absolutamente endividada, poder ter uma festa em que os melhores amigos se fazem presente – ainda que em pensamento .

Sem desmerecer nenhum dos presentes que ganhei – que, dos embalados, não se resumem aos da primeira foto deste post -, posso dizer que os que mais me tocaram foram a presença dos amigos distantes em minha festa – Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Rio do Sul, Pato Branco, Cascavel, Chapecó e, minha linda Betinha, diretamente da Espanha – e dos que, ainda que não vindos de terras distantes, deixaram de cumprir outros compromissos.

Tivesse eu, porém, que eleger um, dentre todos, como o top 1, não teria dúvidas em escolher o lindo convite de casamento – com o plus de ser madrinha (se da noiva ou do noivo não sei, pois melhores amigos ambos) – dos meus queridos Carol e Felipe: aqueles que amigos que você fica meses sem ver ou falar, mas, quando encontra, é como se nada tivesse mudado ou o tempo passado.

Este ano, no grande marco dos 30 anos, ganhei não só grandes presentes embaláveis, como os melhores presentes que prescindem de invólucros. Se os 30 anos marcam na pele, como referenciava meu convite de aniversário, em mim começaram pelos melhores sinais.

Agora me diga a verdade: tem como não amar aniversários se com tantas vantagens?

 

PS: o título deste post é um trecho da música Meu Aniversário, do Nando Reis.

 

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7 responses to this post.

  1. Preciso reconhecer que só pessoas importantes, dentre as quais obviamente te incluo, merecem tanto presentes envoltos em grandes laços, quanto esforços de vinda e presença. Neste último caso, você recebe e dá o presente, pois dividir momentos como esse, já diria a propaganda do cartão, não tem preço.

    Beijos, amore.

    Responder

  2. Posted by Cristina Oliveira on 9 de fevereiro de 2011 at 16:27

    Felicidades para teu novo ano e que cada dia te faça mais e mais feliz!!!

    Beijos,

    Cris

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  3. […] presente (seja na data exata – 17 de junho -, seja na maravilhosa festinha). E eu sei que, assim como a sua tia Mimi aqui, festinhas de aniversário são sua grande alegria. Afinal, tem como ser ruim ganhar todas as […]

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  4. […] de essa ser uma época de reclusão – não para mim, claro – e uma pequena depressão – novamente, não no meu caso – pela errônea […]

    Responder

  5. […] – da infância, aliás – se manteve: meu amor por aniversários. Mais ainda se for o meu. Mas não exclusivamente, como vocês podem perceber aqui, aqui, aqui e aqui. E nos últimos anos […]

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