127 Horas… de dor.

Foto: Divulgação

Retornei para minha maratona de filmes concorrentes ao Oscar de melhor filme e resolvi fazê-lo pelo 127 Horas. Talvez meu lado masoquista tenha eleito este em detrimento de Bravura Indônita ou Minhas mães e Meu pai, já que o namorado preferia o primeiro e as críticas ao segundo estão  muito boas.

Para mim era tão notório que o Aron (James Franco) tinha o braço cortado – já que o filme é baseado na história real de Aron Ralston – que nem percebi que estava soltando spoilers aos amigos do twitter que não viram o filme. O que repeti neste post, neste exato momento.

Segundo o Wikipedia:

A cena no início do filme onde Aron mostra uma piscina escondida numa caverna a duas garotas não existiu de fato — ele mostrou a elas apenas alguns movimentos básicos de escalada. Fora esta cena, Aron Ralston afirmou que o filme “é tão factualmente verdadeiro que é o mais próximo que se poderia chegar de um documentário real.” O diretor Danny Boyle, inclusive, gravou as cenas no mesmo exato local onde elas ocorreram, e a câmera de vídeo usada pelo protagonista é a câmera real de Aron.

A cena da amputação foi um trabalho de maquiagem realizado pelo maquiador Tony Gardner e sua equipe da Alterian, Inc., e contou com a ajuda de profissionais médicos, porque Boyle queria a cena o mais realista e detalhista possível. A cena foi gravada em uma única tomada com múltiplas câmeras.

Se tivesse que definir o filme em três palavras, estas seriam: tédio, angústia e dor. Principalmente dor.

Ainda que alguns tenham criticado o filme por fazer de tudo para que o espectador veja o filme sem sentir o tempo passar, sendo bem-sucedido na tarefa. Mas qual o sentido de fazer isso justamente com uma história sobre o peso do tempo?, mesmo as cenas pretendendo a atenção do público à tela, não há como não se sentir mal com a longa espera para que aquela situação se resolva. Ainda que as 127 Horas de Aron tenham sido reduzidas para pouco mais de 1 hora de imagens ao público, não há como não sentir a angústia de uma espera que parece não ter fim.

Foto: Divulgação

Logo no início do filme Aron cai na fenda de um cânion isolado no Parque Nacional de Utah, transcorrendo todo o resto do filme naquele lugar – salvo pequenas inserções de memórias e alucinações que o inserem em outro cenário. Mas afora o desconforto de estar preso e as dificuldasdes daí decorrentes – como dormir, a escassez de comida e bebida, o frio -, Aron não agoniza de dor. Pelo contrário, quando sua maõ fica presa sob a pedra – fatídica pedra – ele não demonstra grandes expressões de dor. Aliás, suas lágrimas serão reservadas para os momentos de lembrança da família e entes queridos.

Grande parte do filme é destinada as suas tentativas (frustradas) de soltar-se da pedra e a angústia de não consegui-lo transparece mais em Aron do que a dor que eventualmente pudesse estar sentido. Por certo que a dor do esmagamento acaba sendo amenizada com o tempo, mas e a cãimbra e demais consequências por estar tantas horas em uma mesma posição?

De qualquer modo, não se pode negar que James Franco está maravilhosamente bem no papel, digno, com certeza, de um Oscar de melhor ator – o qual acredito que ainda irá para Colin Firth, pelo Discurso do Rei -, dando sede aos telespectadores suas feições e olhares de menino lânguido. A sede, por sinal, é o que mais o perturba.

Deixaram o Direitor Danny Boyle e o ator James Franco as melhores atuações e as piores angústias e dores para o final do filme, na fatídica cena da amputação. Confesso que passei mal durante esses poucos minutos de cena, com uma dor que percorria meu braço, atingia minha garganta e cai seca no estômago, como um soco.

Foto: Divulgação

A expressão de James Franco nesse momento do filme, toda a dor que ele demonstra que uma pessoa poderia sentir quando em situação similar, é digna, por si só, de lhe dar o Oscar de melhor ator. A trilha sonora do momento completam o quadro de dor, acentuando-a. Alerto aos sensíveis, que ainda não viram o filme, que o façam com cuidado. Exageros a parte, há de se ter estômago para tanto.

No mais, ainda que, a priori, fizzesse parte do livro e da história vivenciada por Aron Ralston, não me agradou muito os pensamentos sobre destinoesta pedra esperou por mim a vida inteira – ou as premonições que se concretizaram. Interferências externas superiores em meu livre arbítrio não são bem vindas. Mas provável que muitos se identifiquem com as cenas.

Um bom filme, com toda a certeza, mas bem atrás em minha lista classificatória do Oscar de melhor filme. Ainda mantenho Cisne Negro e A Origem com empate técnico entre os favoritas, seguidos por O Discurso do Rei e, somente então, 127 Horas. Já para melhor ator, essa carinha de menino carente/sapeca do James Franco deixa minha escolha tendenciosa.

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6 responses to this post.

  1. Você me convenceu a não assitir ao filme! huauhauhauh
    Ahhh, e meu favorito ao “seu oscar!” é Toy Story 3 e O Discurso do Rei. “A Origem” é “sonho pra boi dormir”.

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    • O Discurso do Rei e não Black Swan? hahahaahahah.
      Confesso que a história do A Origem não é grande coisa e que ele ganha mais pelos efeitos. Mas ainda tenho o Black Swan na frente do Discurso do Rei.
      Conhecendo você, realmente não recomendo ver o 127 horas, mas apenas os minutos finais, da amputação, pois no mais é tranquilo.

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  2. Posted by André Moraes on 24 de fevereiro de 2011 at 15:51

    Eu já havia decidido não assistir a esse filme.

    Muitos críticos falaram coisas maravilhosas, mas todos também relataram a mesma angústia que você descreveu. Há, inclusive, relatos de desmaios, o que é natural para montanhas-russas, mas que beira o absurdo para um…filme!

    Resolvi então esperar para assisti-lo na telinha, onde não será vergonha nenhuma se eu simplesmente desistir no meio do longa. E olha que Danny Boyle possui em seu currículo dois filmes que amei: Trainspotting e Quem Quer Ser um Miionário.

    Quanto aos demais concorrentes ao Oscar, só assisti A Origem e Cisne Negro, que amei, principalmente pela coragem do diretor.

    Parabéns. Belo post.

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    • Confesso que não assistir no cinema, André.
      O filme ainda não estreiou em Florianópolis e eu queria vê-lo antes de domingo. Por essa razão, recorri aos subterfúgios nada legais, hehehehe.
      A vantagem é exatamente essa: poder passar mal ou parar de vê-lo se assim entender melhor.
      Mas fique tranquilo que apenas no final essa sensação toda é intensificada, pois o filme, no geral, é relativamente tranquilo.

      Boa sorte quando assistir e muito obrigada pela visita.

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  3. […] bom filme, que me fez rir e chorar. Ouso colocá-lo na frente de 127 Horas, mas não de Discurso do Rei, ainda que muito pequena a margem de diferença de suas pontuações. […]

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  4. O filme é muito bom .recomendo a todos

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