Archive for the ‘#mimimi’ Category

#mimimi A difícil arte de se despedir de quem se ama (para @ascatia)

Eu queria fazer um post lindo de despedida para essa minha gêmea por opção, que esta semana deixa Florianópolis por conta de novos sonhos e planos.

Eu tentei.  Refiz mais de cinco vezes o texto. Cheguei a escrever mais de três parágrafos e então travei em todas as versões.

Prolixa que sou, deparei-me com a completa impossibilidade de expressar os sentimentos deste momento. E isso não é ruim, por mais que possa parecer. Poucas são as pessoas que me levam a esse ponto.

Felizmente acredito que ela saiba que as lágrimas que derramo aqui, do lado de cá da tela, dizem mais do que qualquer mimimi escrito.

Digo, então, apenas: Amo você, minha gêmea. Seja feliz em seu novo caminho e, principalmente, volte logo.

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#mimimi Feliz Aniversário para o @Becher, o @MicBernardini e o @Tatato

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Fazia tempo que eu não tinha uma sessão #mimimi aqui no blog. Aliás, fazia tempo que eu não postava nada por aqui (a máxima que inicia todos os posts). Nada melhor, então, do que retomar o prumo em um dia tão especial como este. E já aproveito para avisar: vão agora começar os clichês e as rasgações de seda. Se o título não lhe bastou para parar a leitura deste post, aviso que a partir de agora não está autorizado reclamar. Leia por sua conta e risco.

Não é qualquer dia que você pode comemorar o aniversário de três pessoas tão especiais. Eu tenho amigos que têm essa mania chata de fazer aniversário no mesmo dia, o que acaba te obrigando a se virar em três, no caso, para cumprir os protocolos. Mas eu falo como egoísta que sou, pois não divido minha data com mais ninguém, sequer com minha gêmea, pois tivemos a decência de nascer em dias seguidos. Isso não nos impede de comemorarmos juntas, mas garante que as egocêntricas aqui possam chamar os dias só de seus.

Contudo, não posso pautar o mundo por mim ou por minha gêmea. Nossa idiossincrasia não chega a tanto.

O certo é que pessoas que dividem aniversários, a despeito de qualquer conotação crítica que minhas afirmações acima possam ter transparecido, são generosas por natureza: generosas nos abraços acolhedores; generosas nos sorrisos sempre estampados nos rostos; generosas na atenção dedicada aos que os cercam. No entanto, creio que a maior generosidade que posso imputar a estes em especial é a de me aceitaram como amiga, mesmo eu estando longe de ser uma pessoa fácil de lidar e conviver.

O Mic foi o primeiro a entrar na minha vida. Afinidade instantânea, o que costuma ser um pouco raro por aqui. Provavelmente por sermos palhaços e compartilhamos interesses, como a fotografia. Essa, aliás, a atividade específica que nos uniu. O mais incrível é que já havíamos nos esbarrado em outra oportunidade e até comentado sobre o fato enquanto a amizade era apenas virtual. E de se espantar que em um grupo que iniciou tão grande por conta desse interesse em comum (fotografia), tenha depois se reduzido a meia dúzia e se encerrado em apenas dois.
É difícil falar de alguém que esteve em momentos tão importantes de sua vida, desde a alegria contagiante até a depressão. E talvez apenas isso já seja suficiente para destacar a importância desse vínculo. Porque amigos de verdade não compartilham apenas fotos em latas de lixo ou cartões postais do Rio de Janeiro. Compartilham cumplicidades que, no mais das vezes, não se expressam em palavras ou imagens.

O Tatato foi a aquisição mais recente. E isso não é nenhum demérito. Pelo contrário, apenas algo a se lamentar pela demora, pois figurinha que completa com maestria o álbum da melhor coleção do mundo. Uma pessoa inoxidável, cabriocárica e estrogonoficamente sensível. Daquelas que não têm tempo ruim e trata os amigos como a última bolacha calipso do pacote.
Não é qualquer um que pode se dar ao luxo de ter uma delicinha dessas em sua vida. Mas eu, apesar da lamentável atraso – causado por esse  destino maluco que teima em te deixar cruzar antes com o melhor que o mundo tem para oferecer -, posso hoje dizer que o tenho no meu núcleo mais precioso. E isso não apenas é motivo de orgulho como de muito prazer.

Amigos assim, como dizia meu querido tio Luis, não se encontra nem com luz de candeeiro.

Já o Becher é persona de singular inserção nesse meu clubinho quixeramobílico. Eu sabia seu nome; sabia que era contumaz visitante da memorável casa amarela que já foi minha vizinha; sabia que ele era um gaúcho de coração. Não sabia, contudo, que o conheceria pessoalmente no mesmo dia em que acalentaria meu buchinho devorador. De cozinheiro de singulares iguarias, passou a presença garantida em quase todos os eventos em que me encontrava e, finalmente, um conviva que faz falta quando em suas visitas recorrentes à capital do meu estado de nascimento.

Posso dizer hoje, com orgulho e admiração, que é a única pessoa com quem admitiria dividir meu marido. E se você pensou qualquer besteira ao ouvir essa frase, sinal de que não é merecedor de amizade como esta. Não se divide uma casa, logo após seu casamento, com pessoa que não seja digna dos melhores sentimentos que se possa nutrir. Não se divide os dias com quem não seja merecedor desses elogios. E, principalmente, não se divide as filhas gatas com quem não tenha um coração como o dele.

Hoje é, portanto, um dia de festa. Não apenas por ser o aniversário desses três lindos, mas sim por terem tornado, há mais ou menos tempo, minha vida muito mais colorida.

Obrigada, meus amores.

#mimimi Feliz Aniversário, geleinha @renatadiem

Fazia tanto tempo que eu não escrevia por aqui e mais ainda que não atualizava a sessão mimimi, que mais do que merecido que esse retorno, digamos que duplo, fosse em grande estilo.

Hoje, 10 de abril de 2012, comemora-se mais um aniversário dessa pessoa tão especial em minha vida. Vamos, antes, deixar de lado o número de outonos por ela já vididos – o que eu acho uma bobeira, pois parece muito mais nova que a idade que consta em sua certidão de nascimento – e nos concentrar nas primaveras que já passou ao meu lado.

Sim, porque nos conhecemos em uma primavera – ao menos assim eu me lembro -, em meio a tantos amigos que hoje podem ser contados em uma única mão, seja porque se perderam no caminho, seja porque nunca receberam efetivamente esse adjetivo (eu sei que se trata de substantivo, mas me deixem exercer minha liberdade poética).

Não vou fingir e tornar essa história mais mimizenta do que efetivamente é: não foi amor amizade à primeira vista, tanto que depois disso passamos longo período sem nos vermos e conversando apenas pela internet, em comentários de flickr.

Alguns anos se passaram e quis o destino, com suas eternas ironias, que nos reencontrássemos em momento singular de nossas vidas. Os cabelos podiam ser bem diversos dos de outrora, mas as experiências pessoais muito similares.

E, afinal, não dizem que são as dores ou as alegrias que unem as pessoas? Optamos por ambas, não necessariamente ao mesmo tempo e não necessariamente separadas.

Foi muito importante ter um ombro amigo nos momentos de negação, nos momentos de raiva, nos momentos de negociação, nos momentos de depressão, no momento de aceitação (sim, compartilhamos as cinco fases do luto de cada uma).

Mas, principalmente, foi muito importante ter um ombro para me escorar nos dias de bebedeiras.

Entramos em tamanha sintonia que ela conseguiu perceber, antes de mim, que eu estava cansada, que eu estava curada, que eu estava encantada, que eu estava enojada e, até mesmo, que eu estava apaixonada.

E uma pessoa assim, que foi capaz de perceber tantas coisas antes de mim ou concomitantemente, que acreditou em um romance quando ele ainda era duvidoso para os próprios envolvidos, que apoiou as maiores loucuras e ajudou a erguer dos piores tombos, por certo que não poderia ser nada menos do que minha madrinha, minha comadra, minha testemunha e minha cúmplice em momento tão importante meu.

Nossas confidências vão dos temas mais profanos aos mais sublimes (sem que um exclua o outro); nossas brigas geralmente são ridículas e superficiais; nosso amor é incondicional e profundo; nossa amizade, rogo, será sólida e permanente.

Por isso hoje, apesar de ser o SEU dia, serei egoísta e desejarei coisas para mim: que você continue sempre ao meu lado; que seu ombro e colo estejam sempre dispostos a me acolher; que os amigos (eu) sejam presença constante em sua vida; que possamos continuar a dividir as alegrias e as tristezas, independente de suas intensidades.

Apesar de essa ser uma época de reclusão – não para mim, claro – e uma pequena depressão – novamente, não no meu caso – pela errônea impressão de que a vida escorre pelos dedos com muita rapidez, espero que você tenha claro que, embora seja sempre bom fazer o que amamos e verbalizar tal sentimento aos que nos cercam o mais rápido possível, pois amanhã não sabemos se estaremos vivos (né, Becher?), sempre há tempo para (re)começos, para (re)descobertas.

Apesar de todos os dias, quando acordamos, não termos mais o tempo que passou, ainda temos muito tempo. Temos todo o tempo do mundo…

Obrigada por voltar para minha vida. Amo você.

.

PS: “Geleinha” é um daqueles segredos profanos, ou sublimes, que citei acima.

Este não é mais um cartão de aniversário!

Ok! Eu menti no título. Este é, sim, mais um cartão de aniversário #mimimi. Por isso, se você não está afim de ler coisas do gênero, acho bom parar por aqui. Ao menos eu aviso, como fiz aqui e aqui.

Hoje é aniversário do meu Gui, mas saibam que o uso do pronome possessivo não significa que eu o seja, pois uma das coisas que aprendi com ele foi, justamente, que amar é libertar.

Completar um quarto de século não é tarefa árdua. Não apenas pelo aparente peso de já se ter atingido um terço da expectativa de vida do brasileiro, mas também por ser, geralmente, a idade em que muitos ciclos se fecham, enquanto outros tantos se iniciam. E, no seu caso, pode-se dizer que as premissas são verdadeiras.

Para os que não sabem, nós nos conhecemos por acaso, naquelas situações que requerem uma infinidade de acontecimentos que, se programados, provavelmente não ocorreriam: se não tivesse deixado de sair com a amiga e o namorado; se não tivesse chamado outra amiga para fazer algo; se não tivéssemos decidido comer pizza na casa de terceira pessoa; se não tivesse sido provocada a dar meu telefone; se não tivesse mandado aquela DM; se não tivesse aceitado aquele abraço… Foram tantos se em nossos caminhos que até o namoro começou assim, dependendo.

Primeiro eu achei que não tínhamos nada a ver: ele é da gastronomia, eu sou do direito; ele é rock, eu sou mpb; ele com 23, eu com 29; ele é fogo, eu sou ar; ele é agora, eu sou amanhã. Nem os amigos acreditaram que dariam certo e muitas foram as pessoas que torceram contra.

Relutei em aceitar sua presença na minha vida, mas deixei que secasse minhas lágrimas. Limitei seu espaço no meu dia-a-dia, mas aceitei aquele abraço que tanto precisava; criei distrações e joguei meu foco em pessoas e coisas diversas, mas acabava os dias recebendo seus carinhos em uma mensagem. E quando tudo parecia estar próximo do fim, ele soube me libertar, momento em que finalmente me prendeu, conquistando não apenas o meu amor, mas também minha admiração.

Hoje, quando encaramos juntos mais um desafio – a distância diária imprescindível para o crescimento profissional de ambos -, percebo que as nossas iniciais aparentes diferenças são, na verdade, complementos que tornam nossa união ainda mais graciosa.

Se em outros tantos momentos as palavras são fartas e preciso controlar meus impulsos prolixos, hoje elas parecem me faltar. Talvez porque o necessário já tenha sido dito pessoalmente, olhos nos olhos, ou porque a saudade já prenuncia seus primeiros sintomas, tornando embargada não apenas a fala, como também a escrita.

Por isso, encerro aqui este arremedo de cartão de aniversário, na certeza de que o presente, hoje, quem recebe sou eu, pois de uma maneira torta consegui trazer para a minha vida alguém que me faz deveras feliz.

Feliz aniversário, meu Gui – que também é de todos, pois seu coração é tão grande quanto os seus 2,05m de altura. Que a vida seja sempre generosa com teus esforços e que as dificuldades sejam redondas, para facilitar quando as empurrar para longe. E saiba que os percalços serão sempre transpostos comigo segurando a tua mão e dizendo “vai dar tudo certo“.

Loveiú, chuchu!

Ele é o meu Dudu e eu sou a Mimi dele…

Este é um cartão de aniversário para o meu querido (e por enquanto único) sobrinho. Se não quiser perder seu tempo com mimimi’s, favor parar por aqui a leitura deste post. Depois não diga que não avisei!

Luiz Eduardo Garcia Xavier ou, simplesmente, Dudu da tia Mimi.

Veja só que triste: mais um aniversário em que a tia Mimi não estará presente (seja na data exata – 17 de junho -, seja na maravilhosa festinha). E eu sei que, assim como a sua tia Mimi aqui, festinhas de aniversário são sua grande alegria. Afinal, tem como ser ruim ganhar todas as atenções, presentes e docinhos maravilhosos?

Tia Mimi não estava presente no seu nascimento também, já que por uma coincidência enorme (coincidência é quando duas ou mais coisas acontecem ao mesmo tempo, ainda que não tenham sido programadas, como passar aquele desenho demais do Bob Esponja bem no dia que você não precisou ir na escola) estava apresentando sua monografia da faculdade (monografia é um trabalho de escola bem longo e bem demorado de fazer, que obriga a gente a ler um monte de coisa legal e um monte de coisa bem chata. Se a gente não fizer direitinho, não passa de ano. E faculdade é a escola que a gente faz quando fica maior, para aprender aquilo que queremos ser quando crescer. No caso da tia Mimi, é para ajudar as pessoas a resolverem seus problemas, quando elas estão brigando, por exemplo, para saber qual delas é dona do carrinho do Hot Wheels encontrado no jardim da escola). Ou seja, a coincidência (que eu já te expliquei ali em cima) está no fato de que no mesmo dia a tia Mimi encerrava uma etapa importante da sua vida – acabava a faculdade e me tornava gente grande – iniciava outra: ser a tia Mimi do meu querido Dudu.

Mas saiba que, quebrando o protocolo (quebrar o protocolo é fazer alguma coisa que a gente não deve fazer, como meter o dedo no nariz na frente de pessoas que acham isso nojento, pois elas não entendem que é preciso limpá-lo quando está nos incomodando para respirar), a tia Mimi fez uma grande homenagem a você na apresentação da monografia, pois, afinal, virar sua tia Mimi era mais importante do que virar gente grande.

Mas a tia Mimi estava no aniversário de 1 ano, viu? Felizmente a paixão pela fotografia me permitiu ter provas desse fato e mostrar a você que não perdi todos as suas festinhas. Você pode não lembrar, pois a única coisa que sabia fazer na época era erguer o dedinho indicador (é o dedinho fura bolo) e mostrar qual era a sua idade. Mas eu juro que estava lá, correndo atrás de você como uma louca, com uma câmera enorme na mão, e tentando fotografar seus passos titubeantes (titubeante é quando a pessoa caminha como se fosse cair toda hora).

Quem diria que o tempo passaria tão rápido e você já estaria completando 6 anos? Nem cabe mais em uma mão mostrar a idade quando lhe perguntam e ficou muito fácil do que quando você tinha apenas 2 anos e os demais dedinhos (os dedidos seu minguinho, seu vizinho e mata piolho) precisavam ser segurados para que a idade fosse mostrada perfeitamente.

Pois bem, apesar de a tia Mimi estar longe e ter perdido muitos momentos especiais seus, saiba que estou sempre informada de suas mais recentes peraltices (peraltice é quando você apronta alguma coisa), como a que levou você a ficar de castigo por um mês e quase acabou com sua festinha de aniversário. Também fico sabendo dos momentos em que está doentinho e das visitas ao Dr. Abraão, que um dia já foi o meu pediatra.

Mas o que eu queria te falar mesmo é que você está fazendo 6 anos e isso é uma mudança muito grande na sua vida. A partir de agora a escola vai deixar de ser só aquela folia e brincadeira que sempre foi, já podendo você, por exemplo, ler sozinho este cartão que a tia Mimi está lhe enviando. A partir de agora a mamãe e o papai vão exigir mais dos seus estudos e você começará a ter tarefas de casa determinadas pela professora. Você completou exatamente  metade do tempo necessário para deixar de ser criança e se tornar um adolescente.

Porém, não tenha pressa em percorrer essa outra metade do caminho. Aproveite tudo que a infância pode lhe oferecer, principalmente as brincadeiras. E, justamente por isso, o presente que estou enviando este não será roupas ou calçados, pois tem por intuito manter as brincadeiras vivas em seu cotidiano. Tenho orgulho de saber que fui a responsável por inserir o tênis All Star (preto e com cordinhas) na sua vida, mas o Bob Esponja e o Patrick imploraram para irem até aí fazerem companhia ao Dino e ao Sapo.

Bem, este cartão de aniversário já ficou grande demais para um menino de apenas 6 anos, cujos minutos são eternidades e devem ser gastos com coisas bem mais interessantes do que um monte de palavras difíceis e escrita truncada (truncado é o mesmo que difícil de entender), com diversos apostos (este vou deixar para você aprender na escola) e parênteses (estes quase C que separam as frases, como esta aqui) que dificultam a leitura, principalmente de alguém ainda em alfabetização (alfabetização é quando se está aprendendo a ler e escrever, ou seja, o que está acontecendo com você agora).

Tenho certeza que muito do aqui escrito não será compreendido perfeitamente por você, mas este é um cartão de aniversário para ser relido em outras épocas de sua vida. Por isso que, caso você o perca, a tia Mimi garantiu que uma cópia estaria em seu blog (é um lugar na internet, assim como os seus joguinhos), podendo ser relido quando você sair do castigo que te impossibilitou de usar o computador.

Comporte-se, mas também seja muito criança e aproveite tudo o que isso significa, a começar por sua festa de aniversário. Prometo que ainda compartilharei muitas festas assim com você.

Amo você, coisa gostosinha gremista.

Sua tia Mimi.

PS: Este é o cartão de aniversário que estou enviando ao meu sobrinho pelos seus 6 anos, completados no último dia 17. Está aqui no blog por duas únicas razões: porque outras tantas pessoas especiais ganharam cartões neste espaço de “soberbas amenidades” e porque assim fica garantido que, um dia, quando capaz de compreender cada uma das palavras aqui escritas sem as explicações por mim fornecidas, poderá relê-lo com nostalgia de uma das fases mais importantes de sua vida.

O quanto somos especiais para os outros…

Foto de Michael Bernardini

Meu nome é Michele. 30 anos. Nascida no Rio Grande do Sul. Só nasci. Nunca me senti gaúcha. Mulheres bonitas identicam o estado. Gosto, então, de ser gaúcha. Morei anos no Paraná. Sou paranaense.  Uma opção. Em Florianópolis agora. Fiz faculdade. Exerço minha formação. Gosto. Durmo muito. Menos do que gostaria. Mais do que o aceitável. Amo. Não gosto de ser acordada. Mau humor. Muito. Sou um urso. Demoro para voltar a ser eu. Preciso de tempo. Sou espaçosa. Pernas compridas. Corpo magro. Cama grande. Invado espaços. Não gosto dos meus invadidos. Tenho manias. Inúmeras. Controlam-me, não eu a elas. Inteferem em meu humor. Sou complexa, como algumas cervejas.

Tenho uma gata. Dubbel. Duplo Malte. Batizada antes de reconhecida como adoradora. Do cereal, não da cerveja. Vira-lata ou SRD. Não parece com os persas. Conhecia bem estes. É lisa. Rápida. Hiperativa. Destruidora. Comilona. Mordedora. Chorona. Enfrenta cães e gatos maiores. Irresponsável. Sente saudades. Nunca vi disso. Lambe narizes. Quaisquer. Chupa tecidos. Lembra da teta. Desmame antecipado. A rua lhe foi cruel. Adora fugir. Ironia. Sempre volta. Gosta de colo. Disputa atenção. Odeia meu smartphone. Precisa de companhia. Não gosta de comer sozinha. Precisa do contato para dormir. Bate na porta. Odeia obstáculos. Impõe seu horário. Não respeita meu tempo. Encolhe minhas pernas. Afina meu corpo. Invade espaços. Sem considerações pelos meus. Interrompe minhas manias. Interfere em meu humor. Não liga para minha complexidade.

Tenho um namorado. Guilherme. 24 anos. Catarinense. Estudante de gastronomia. Amante de cervejas. Batizou nossa gata. Faz minhas cervejas. Conquistou-me aos poucos. Esforçou-se muito. Conseguiu. Não foi só pelo estômago. O sorrisso fez um bom trabalho. Chorou na minha frente. No meu colo. Ganhou-me. Dividiu seus segredos. Tentou descobrir os meus. Apaixonei-me. Gosta de dormir. Amei. Comilão. Odeia injustiças. Defende estranhos. A vida lhe trouxe surpresas. Supera-as. Sente saudades. Não lambe narizes, mas os beija. O beija. Beija-me. Gosta de colo. Abre mão. Recebe-me no seu. Disputa atenção. Divide-me com seu smartphone. Cozinha para mim. Precisa do contato para dormir. Rouba meu lençol. Não respeita horários. Rompe os obstáculos dos tecidos. Enlaça minhas pernas. Sobrepõe-se ao meu corpo. Invade espaços. Ignora os meus. Interrompe minhas manias. Interfere em meu humor. Tenta compreender minha complexidade.

Dubbel tem fugido muito. Não admite os limites impostos pelas paredes do apartamento. A liberdade vigiada da sacada já não lhe basta. Impõe sua presença aos gatos da rua. Aos gatos dos vizinhos. Aos apartamentos vizinhos. Aos vizinhos. Come a ração dos que não suportam sua presença. Ignora os rosnares alheios. Volta para casa no colo dos vizinhos ou ao tilintar de seu pacote de ração. Não importa a ausência de fome. O tilintar é infalível. Pode ser do carro, também. O alarme é o prenúncio. Minha chegada. Sua choradeira. Muitas lambidas. Foge, mas sempre volta. Precisa do meu colo. Minha mão. Formato de um quase “O” em braile. Percorrer do nariz às orelhas. Encerra-se no pescoço. Os olhos abrem e fecham. O sono logo vem.  Exige minha presença constante. Precisa estar ao meu lado, dormindo, mesmo enquanto escrevo essas palavras sobre si. Não sabe o que são palavras. Conhece sons. Ignora a importância do computador. Pisa sobre o teclado e atrapalha meu trabalho. Caça o cursor do mouse. Consegue me irritar com frequência. Testa minha paciência. Enrosca-se em meus pés. Obriga-me a tropeçar. Gosto quando foge. Nem sempre. Desejo obscuro de que alguém a adote. Vizinhos sempre a salvam. Destróem meu sonho maléfico. Salvam meu dia. Ironia. Tiram-me da solidão da casa vazia. Arrependo-me do pensamento ruim. Descobrimos que nos amamos. Redescobrimos. Carinhos mútuos prolongados. Atrapalha meu sono. Tudo recomeça. Exige atenção. Preciso de espaço. Ocupa os meus. Empurrões. Gritos. Assusta-se com minha complexidade. Lambe meu nariz para dizer que me ama. Deixo lamber para provar que a amo.

Guilherme fugiu de casa. Não. Foi viajar. Não respeitou os limites que um namoro impõe. Morar junto lista outros tantos. A liberdade do trabalho já não lhe bastava. Precisava da presença dos amigos. Conhecidos. Desconhecidos. junta tudo com a cerveja. Ignora os que não suportam sua presença. Obstrui a visão alheia. Mais de 2m verticais. Impõe-se entre os olhares. Impossível não percebe-lo. Sua voz. Toma as bebidas alheias. Poucas vezes compartilha as suas. Ignora os rosnares decorrentes. Volta para casa no meu carro. Impreterivelmente. Tenho medo de que se perca. Outros caminhos existem. Garanto a chegada ao lar. A fome ajuda em seu retorno. Nem sempre há comida na geladeira. Há beijos. Infalíveis. Lambidas de nariz. Salve, Dubbel.  Sai. Viaja. Sempre volta. Precisa do meu colo. Minhas mãos. Meu sorriso. Exige minha presença. Atenção. Necessita de meu corpo, ao seu lado, para dormir. Percorre minhas costas com os dedos. Vira para mim as suas. Percorre a cama atrás de meus dedos. Os pés buscam os meus. Tem que conferir a presença ao seu lado. Repete. Diversas vezes. Não respeita meu espaço. Não compreende minhas manias.  Fujo do carinho. Tenho rituais. Afasto o toque. Procuro quando quero. Sou refém dos 30 minutos. Não existo antes disso. Acordar é um processo. Há regras e formas a serem seguidas. Gosto quando tenho a cama vazia. Sensação de poder. Liberdade. Ocupar todos os espaços. Nada de barreiras. Lençol inteiramente meu. Cumpro o ritual com delongas. Respeito meu (mau) humor matinal. Espreguiço-me como um polvo. Não há limites. Viro eu. Finalmente. Sinto a cama vazia. A casa privada da presença imponente. Há recados no celular. Nunca são suficientes. Nem as declarações de amor. Preciso do toque. Com a chegada tudo recomeça. Quero cumprir meus rituais sem atropelos. Enlaça minhas pernas. Impede-me de ser polvo. Mau humor. Rosnares. Respeita minha complexidade. Beija minha boca para dizer que ama. Amo. Deixo ababelar meus rituais para provar que o amo.

Hoje acordei sozinha. Não houve bater na porta. Choros inexistentes. Sem obstáculos para o lado polvo. Rituais cumpridos com vagar. Caminhar pela casa sem tropeções. Duas horas. Aparente felicidade que se desfaz. Ausência não compensada pela internet ou pelos livros. Comi sozinha. Transformei-me na gata. Preciso da companhia. Não tenho mais ursinhos para carregar comigo. Sábia felina. Esconde o companheiro para que não lhe roubem. Resgata-o nos momentos de desespero. Não pude resgatar o meu. Raiva dos cientistas. Não quero ir à Lua. Quero teletransporte. Quero minhas companhias imediatamente. Uma voltou. Tarde. Agraciou-me com seu ritual de chegada. Nariz. Lambidas, não beijos. Consolou-me, não o suficiente. Aguardo a outra. Preciso dormir. Preciso do toque. Só hoje. Porque não tenho. Amanhã reclamo. Hoje desejo.

Hoje acordei sozinha. Descobri a falta. Saudade. Descobri o que me é especial. Ganhei minha lambida no nariz. Apaziguadora. Espero meu beijo. Indispensável. Indispensáveis. Lambidas. Beijos. Toques.

Hoje acordei sozinha. (Re)descobri os que são essenciais. Refleti sobre a importância de uma lambida no nariz. Seu significado. Compreendi todo o amor que há no chacoalhar um post mix com mais de 20 Kg.

Imitando o filme: “Para Guilherme e Dubbel, obrigada por tudo! Michele.”

“…Como é meu o meu aniversário…”

Parte dos presentes que ganhei de aniversário. Alguns não couberam na foto.

Acabei não comentando, no post sobre o enorme amor que tenho pelos aniversários, particularmente o meu, mas o top 1 da minha lista é, sem sombra de dúvidas, o presente. Claro que falar de presentes é falar sobre unanimidades: mesmo aqueles que não suportam as festas ou os parabéns, jamais se mostram relutantes ou avessos aos presentes de aniversário.

Afinal, tem coisa melhor do que ganhar presentes?

Óbvio que não no mesmo grau de amor e importância, mas sempre tive o ato de dar presentes igualmente prazeroso. E quando dizem que filho de peixe, peixinho é ou a fruta não cai muito longe do pé, apesar do imenso preconceito contido nesses ditos populares e minha particular ojeriza a importância que ganham na boca de algumas pessoas – como se argumentos válidos fossem -, tenho que reconhecer que, no caso, aplicam-se a mim. Sou uma compulsiva presenteadora, tendo “herdando” (duplo grifo, sim) essa característica dos meus pais.

Foto de Renata Diem

Desde que me conheço por gente, minha mãe é a rainha dos presentes. Lembro das proximidades dos Natais, na infância, em que saímos pelas lojas com uma lista imensa de pessoas que seriam agraciados pelos seus mimos. E não eram lembrancinhas, não. Eram presentes, grandes, volumosos e, especialmente, caros.

Não que isso faça a diferença, já que realmente acredito que o importante é a lembrança. Mas ela sempre fez questão de dar coisas boas, perdendo diversas noites de sono matutando o que comprar para cada um daqueles que estapavam sua longa lista.

Claro que meus pais não são ricos, nem nunca tiveram dinheiro sobrando para regalias como essas. Mas, sempre incentivada por meu pai, que montava sua própria lista dos indispensáveis (aqueles que não podiam ficar sem presentes de maneira alguma), economizavam para essa data.

Aliás, o ato de presentear de meus pais nunca se limitou a objetos embrulhados com lindos laços. Ia desde festas para os amigos – pelas mais variadas razões – até pagar contas de restaurantes, levar para viagens com tudo pago, emprestar dinheiro aos amigos sem previsão de receber de volta (isso quando não doavam o dinheiro a priori apenas emprestado) e por aí vai.

Foto de Renata Diem

Desde muito cedo tive o exemplo em minha casa do quanto era bom, prazeroso e importante o ato de presentear (lato sensu). E não há como negar que isso influenciou muito na formação de minha personalidade. Os meus amigos podem até vir aqui questionar, negando-me o adjetivo presenteadora, porém, em minha defesa, aponto as limitações financeiras dos últimos meses.

Não posso, contudo, dizer que sou ou me igualo aos presenteadores que são meus pais. Se, por um lado, aprendi a importância e a satisfação que rodeiam esse ato, por outro pude perceber que algumas pessoas se aproveitam e abusam da generosidade alheia. Inúmeras foram as vezes que vi meus pais sendo convidados como padrinhos de casamentos pela simples razão de que iriam dar um ótimo presente. O mesmo quanto a batizados. Há, também, as velhas desculpas do não posso ir em tal lugar, porque não tenho dinheiro, mas se você faz questão de me pagar, até faço um esforço e vou.

Claro que isso nunca foi a regra, mas a exceção, pois, do contrário, por mais generosos que meus pais fossem, já teriam mudado de atitude. Do mesmo modo, se assim não fosse, não teria eu adotado essa característica.

Também não posso negar a importância que essas péssimas exceções tiveram na minha formação. A partir dessas experiências aprendi a reconhecer os verdadeiros amigos, as coisas que realmente importam e os melhores presentes, para dar e receber.

Foto de Michael Bernardini

Foto de Michael Bernardini

Confirmei mais uma vez, aos 30 anos, que os melhores presen- tes são aqueles que, ainda que passíveis de serem envoltos em grandes laços de fita, prescindem do invólucro; que não há nada melhor do que, mesmo absolutamente endividada, poder ter uma festa em que os melhores amigos se fazem presente – ainda que em pensamento .

Sem desmerecer nenhum dos presentes que ganhei – que, dos embalados, não se resumem aos da primeira foto deste post -, posso dizer que os que mais me tocaram foram a presença dos amigos distantes em minha festa – Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Rio do Sul, Pato Branco, Cascavel, Chapecó e, minha linda Betinha, diretamente da Espanha – e dos que, ainda que não vindos de terras distantes, deixaram de cumprir outros compromissos.

Tivesse eu, porém, que eleger um, dentre todos, como o top 1, não teria dúvidas em escolher o lindo convite de casamento – com o plus de ser madrinha (se da noiva ou do noivo não sei, pois melhores amigos ambos) – dos meus queridos Carol e Felipe: aqueles que amigos que você fica meses sem ver ou falar, mas, quando encontra, é como se nada tivesse mudado ou o tempo passado.

Este ano, no grande marco dos 30 anos, ganhei não só grandes presentes embaláveis, como os melhores presentes que prescindem de invólucros. Se os 30 anos marcam na pele, como referenciava meu convite de aniversário, em mim começaram pelos melhores sinais.

Agora me diga a verdade: tem como não amar aniversários se com tantas vantagens?

 

PS: o título deste post é um trecho da música Meu Aniversário, do Nando Reis.

 

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