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“Eta, eta, eta. O Rio é lindo. E a noite é Preta”

Sou uma passional. Por mais que muitos de meus pensamentos sejam absolutamente centrados na racionalidade – meu ateísmo fala por si só -, sou movida pela paixão. Por essa razão, após semanas de praticamente abandono deste blog, amanheci com uma vontade imensa de aqui tecer meus comentários sobre um daqueles assuntos soberbos.
Antes disso, quero acentuar um pequeno detalhe que pouco tem de conexão com o tema desse post. Trata-se da capacidade de determinadas pessoas de planarem, sempre, pelas amenidades; não tecerem um só comentário sobre temas importantes ou que reflitam suas opiniões. Claro que não posso crer que essas pessoas são fúteis ou vazias. O fato de não expressarem seus pensamentos e convicções pode significar inúmeras coisas. Mas tenho percebido que, ao mesmo passo, algumas dessas pessoas tendem a problematizar suas vidas. Ou seja, amenas sobre os assuntos que as cercam e soberbas no que se refere aos seus umbigos. Talvez a psicanálise ou outra teoria psicológica já tenha se debruçado sobre o assunto, mas, em razão de hoje ter acordado um pouco intolerante – por culpa do grande personagem que tomará conta deste post -, tomo a liberdade de definir tais pessoas como mimadas.

Deputado Jair Messias Bolsonaro

O post hoje não contará com nenhuma outra foto além desta acima – retirada do site do Deputado Federal Jair Messias Bolsonaro -, pois não consigo encontrar entre minhas fotografias nenhuma que seja capaz de expressar o tamanho das barbaridades proferidas ontem, no Programa CQC (Custe o Que Custar), da Rede Bandeirantes.

Jair Bolsonaro, atualmente Deputado Federal pelo estado do Rio de Janeiro, foi entrevistado (programa exibido em 28 de março de 2011) pelo Programa CQC no quadro O povo quer saber e, dentre as inúmeras barbaridades proferidas – como quando questionado sobre o que faria se tivesse um filho homossexual, dando como resposta que (1) bateria nele, porém (2) sabedor da educação que passou aos filhos, sabe que isso jamais aconteceria -, respondeu, como último questionamento, pergunta formulada pela cantora Preta Gil, da exata seguinte forma:

Preta Gil: Se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?
Bolsonaro: Ô, Preta. Eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu.

Não vou nem tecer maiores comentários sobre as afirmações proferidas por esse Deputado, que parece desconhecer os mais basilares princípios constitucionais ou o conteúdo da legislação infraconstitucional, ambas de sua competência legislativa. O jornalista Fernando Oliveira, em coluna que li hoje pela manhã – Carta Aberta a Jair Bolsonaro e ao “CQC”, em defesa da Preta Gil e das vítimas de preconceito -, tece ótimos comentários sobre o tema. Lá também pude perceber os mais variados tipos de indignação nos comentários deixados, desde a alegação de que foi um absurdo o CQC ter colocado esse programa no ar, a falta de edição ou, até mesmo, o simples fato de ter dado espaço a uma pessoas com pensamentos tão intolerantes.

Confesso que minha primeira impressão ontem, quando assisti ao programa (por coincidência troquei para o canal Bandeirantes poucos minutos antes do Quadro com o Deputado), foi de indignação para com o CQC, dando espaço para tamanhos absurdos e sem nem, ao menos, editar as ojerizas dirigidas contra a cantora Preta Gil. Minha indignação foi maior principalmente porque este programa (CQC), assim como tantos outros intitulado de humor, tem histórico de intolerâncias e desrespeito a referida cantora, sendo seu peso um dos grandes ganchos para as piadas de péssimo gosto, para não dizer coisa pior.

Mas então pensei: afinal, quem deu ibope, primeiro, para esse sujeito, que já foi Vereador da cidade do Rio de Janeiro e Deputado Federal desde 1990? Quem permitiu que alguém, com ideias arraigadas em tantos preconceitos e intolerâncias, ocupasse um cargo público da importância de uma Câmara Federal? E não venham me falar em voto de protesto, como muitos defenderam no caso do Tiririca, pois esse tipo de pensamento não atrai votos desse gênero.

Dói ao falar isso, mas o Deputado Jair Bolsonaro não se encontra sozinho nesse tipo de pensamento. Se assim não fosse, por certo que não teria sido reeleito por tantas vezes, principalmente se levarmos em conta que ao menos hipócrita ele não é. Nunca escondeu seus ideais – ainda que tortos e criminosos – e defende, sempre que indagado, o uso da violência e enaltece a atitude dos militares durante o período de vergonha pelo qual este País passou.

Tentar amenizar o que foi dito pelo Deputado, como tentou fazer o Marcelo Tas, afirmando que preferia acreditar que ele não entendeu a pergunta da Preta Gil, é uma atitude até aceitável, já que não parece crível que alguém, além de pensar de maneira tão tacanha, verbalize seus preconceitos. Também tenho essa mesma dificuldade, muito embora, tendo em conta todo o histórico do Deputado e as entrevistas que já concedeu, certo que sabia muito bem o que estava falando e as consequências disso.

Infelizmente, além de gerar toda a polêmica e solidariedade para com a cantora Preta Gil, esse mesmo vídeo será utilizado por aqueles que se coadunam com os ideais do Deputado Bolsonaro como um incentivo. De outro lado, acho engraçado que muitos dos atuais defensores da Preta Gil, em relação ao presente caso, sejam os mesmos que por longos anos a acusaram dessa mesma prosmicuidade afirmada por Bolsonaro ou, então, quanto ao seu peso, principalmente porque, para muitos, é difícil aceitar que alguém possa ser feliz e bem resolvida como Preta Gil sempre se apresentou.

Quero deixar aqui meu apoio a Preta Gil, destacando que não me enquadro naquelas pessoas que acima descrevi. Sempre defendi a Preta Gil no que tange as suas liberdades, principalmente pelo fato de encarar os preconceitos que a cercam e estar bem consigo mesma, com seu corpo, com suas atitudes.

Por outro lado, declaro aqui minha total ojeriza aos pensamentos proferidos pelo Deputado Jair Messias Bolsonaro. E que fique bem claro: por seus pensamentos e atitudes. Ao contrário de muitos comentários que vi por aí, apontando que ele merecia apanhar ou, até mesmo, linchado pelas palavras proferidas, entendo que não existem pessoas de maior e menor categoria, as que têm garantidos seus direitos e as que não merecem ser tratadada com “humanidade”. O que existem são pensamentos e atitudes de maior e menor categoria, sendo estes justamente aqueles arraigados em preconceitos, intolerâncias e, por que não dizer, criminosos. Por tais serão seus autores responsabilizados, o que, no presente caso, culminará em uma ação civil – e talvez criminal – contra o Deputado Bolsonaro, proposta pela cantora Preta Gil, que já afirmou em seu twitter que assim pretende.

Que esse episódio sirva para uma boa reflexão sobre aqueles que inserimos nos mais importantes cargos públicos deste País e, como bem destacou o apresentador Jô Soares, em seu twitter: Jair Bolssonaro é o retrato da intolerância. Tem-se o Direito de discordar, mas nunca de descriminar!
Racismo é crime, inafiançável e imprescritível (art. 5°, XLII, da Constituição da República Federativa do Brasil).

 

PS: nada melhor para intitular este post do que trecho de uma música da Preta Gil: A Coisa tá Preta.

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Para quem não teve o desprazer de ver o vídeo do programa CQC, com o Deputado Bolsonaro, eis-lo aqui:

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